Uma abordagem sobre a crise da educação
O sistema educacional como existe não pode de
modo algum ser entendido como uma educação emancipadora, mesmo que já tenha
tido alguns avanços, porque está comprovado que não acompanhou a evolução dos
tempos e nem a dinâmica da sociedade. Inicialmente, os alunos vêm de uma
estrutura familiar que não é como a de antigamente, já que seus valores foram
se modificando, além da influência de um novo tempo resultado de vários
fatores, principalmente pelo convívio com a tecnologia, como Tv, celular e
internet etc.
Os alunos, principalmente das escolas
públicas, não têm à sua disposição um ideal de formação “para o povo”, ou seja,
os conteúdos aprendidos, equivocadamente, são para servir em primeiro lugar aos
requisitos do sistema. Assim, o ser humano converte-se em “material” de
valorização capitalista e, por isso o perfil capitalista impera em sua
formação.
Com essa visão, erroneamente, a Escola que
antes atendia a outras demandas como construção do cidadão, hoje desempenha uma
função disciplinar, de adestramento espiritual com aprendizados comportamentais
de submissão, a fim de servir ao Senhor Capital.
Da mesma forma, as Escolas Particulares têm
cuidado para que a elaboração do conteúdo levados aos seus alunos, atenda
também aos objetivos do sistema, e a nova geração, destinada aos escalões de
liderança na economia, na cultura e na política, não recebe um saber universal
capaz de reflexões filosóficas para além das exigências e práticas
imediatas. Mesmo com maiores “suportes”
para seu funcionamento, elas também estão demonstrando insucesso, porque
encontramos a mesma essência do ser humano alijada do processo educacional, ou
seja, os mesmos estudantes, e em sua maioria indiferentes ao ensino da ética
aplicável à vida.
Quanto à competência do professor (a), está
ainda muitas vezes ligada à imposição e submissão do mercado. Seus alunos, na
maioria das vezes na relação vertical com o professor, sentem-se sufocados
quanto à manifestação do conhecimento, e mesmo o desejo de expressão da sua
necessidade. Sabemos que a pouca maturidade não os deixa perceber que, para
futuro e para seu “bem estar”, adquirir conhecimento na Escola é fundamental,
portanto, sua participação torna-se premente.
Neste
cenário estamos assistindo a uma crise crescente do ensino, porque é cada vez
maior o número de desinteressados, indiferentes, e indisciplinados nas salas de
aulas. Como resultados têm os “analfabetos secundários”, jovens que não dominam
técnicas culturais básicas e são incapazes de refletir para além dos dados
imediatos. Pessoas que podem ler e escrever em caso de necessidade, mas sem
entender e elaborar conceitos e reflexões.
É importante reafirmar que a esperança passa
pela Educação e o papel da Escola Pública ou Particular é cuidar para que a
formação do aluno o leve, a saber, a fazer escolhas adequadas. Sem contar que a
criatividade, a coragem e a autonomia elevam a autoestima.
Se hoje vivenciamos uma sociedade capitalista
que está em crise, que invoca por uma ideologia que seja a salvação da sua
civilização, o sistema educacional está em semelhante crise, mas quer ser
salvo, quer ajudar o ser humano a conseguir uma vida mais saudável, mais feliz,
sentido maior da vida.
Pode
ser que a crise do sistema capitalista versus instituição educacional ponha a
caminho uma nova contracultura intelectual, a partir de um novo modelo que
melhore a convivência, não só do professor(a) e do aluno(a), mas a convivência
com outros seres humanos e outros seres vivos.
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