sábado, 12 de fevereiro de 2022

Uma abordagem sobre a crise da educação


 

Uma abordagem sobre a crise da educação

 

O sistema educacional como existe não pode de modo algum ser entendido como uma educação emancipadora, mesmo que já tenha tido alguns avanços, porque está comprovado que não acompanhou a evolução dos tempos e nem a dinâmica da sociedade. Inicialmente, os alunos vêm de uma estrutura familiar que não é como a de antigamente, já que seus valores foram se modificando, além da influência de um novo tempo resultado de vários fatores, principalmente pelo convívio com a tecnologia, como Tv, celular e internet etc.

Os alunos, principalmente das escolas públicas, não têm à sua disposição um ideal de formação “para o povo”, ou seja, os conteúdos aprendidos, equivocadamente, são para servir em primeiro lugar aos requisitos do sistema. Assim, o ser humano converte-se em “material” de valorização capitalista e, por isso o perfil capitalista impera em sua formação.

Com essa visão, erroneamente, a Escola que antes atendia a outras demandas como construção do cidadão, hoje desempenha uma função disciplinar, de adestramento espiritual com aprendizados comportamentais de submissão, a fim de servir ao Senhor Capital. 

Da mesma forma, as Escolas Particulares têm cuidado para que a elaboração do conteúdo levados aos seus alunos, atenda também aos objetivos do sistema, e a nova geração, destinada aos escalões de liderança na economia, na cultura e na política, não recebe um saber universal capaz de reflexões filosóficas para além das exigências e práticas imediatas.  Mesmo com maiores “suportes” para seu funcionamento, elas também estão demonstrando insucesso, porque encontramos a mesma essência do ser humano alijada do processo educacional, ou seja, os mesmos estudantes, e em sua maioria indiferentes ao ensino da ética aplicável à vida.

Quanto à competência do professor (a), está ainda muitas vezes ligada à imposição e submissão do mercado. Seus alunos, na maioria das vezes na relação vertical com o professor, sentem-se sufocados quanto à manifestação do conhecimento, e mesmo o desejo de expressão da sua necessidade. Sabemos que a pouca maturidade não os deixa perceber que, para futuro e para seu “bem estar”, adquirir conhecimento na Escola é fundamental, portanto, sua participação torna-se premente.

 Neste cenário estamos assistindo a uma crise crescente do ensino, porque é cada vez maior o número de desinteressados, indiferentes, e indisciplinados nas salas de aulas. Como resultados têm os “analfabetos secundários”, jovens que não dominam técnicas culturais básicas e são incapazes de refletir para além dos dados imediatos. Pessoas que podem ler e escrever em caso de necessidade, mas sem entender e elaborar conceitos e reflexões.

É importante reafirmar que a esperança passa pela Educação e o papel da Escola Pública ou Particular é cuidar para que a formação do aluno o leve, a saber, a fazer escolhas adequadas. Sem contar que a criatividade, a coragem e a autonomia elevam a autoestima.

Se hoje vivenciamos uma sociedade capitalista que está em crise, que invoca por uma ideologia que seja a salvação da sua civilização, o sistema educacional está em semelhante crise, mas quer ser salvo, quer ajudar o ser humano a conseguir uma vida mais saudável, mais feliz, sentido maior da vida.

 Pode ser que a crise do sistema capitalista versus instituição educacional ponha a caminho uma nova contracultura intelectual, a partir de um novo modelo que melhore a convivência, não só do professor(a) e do aluno(a), mas a convivência com outros seres humanos e outros seres vivos.


 

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