A lógica capitalista na Educação
A tão
malfadada lógica capitalista já contaminou também o processo educativo. O
mecanismo da cobrança através da troca de nota, assemelhando ao mecanismo
capitalista do lucro suplantou o objetivo maior da educação que é a formação do
humano. Temos assistido a uma prática de avalição que na realidade é apenas uma
moeda de troca para sua promoção, e como resultado constroem-se “analfabetos
secundários”, isto é, pessoas que sabem ler o alfabeto, mas não as ideias;
pessoas que assinam seus nomes, mas não conseguem redigir textos claros, nem
mesmo em se tratando de uma ordem ou solicitação de serviço. Não basta ensinar
o “beabá”, pois como disse Paulo Freire a educação precisa ser libertadora e,
portanto, eficiente. Isso até mesmo para impedir que a pessoa fique na condição
de subserviência. Freire sempre alertou para isso, dizendo: A opressão é
domestificadora. Um obstáculo gravíssimo para a conquista da libertação é que a
realidade opressiva absorve os que nela estão e, assim, age para submergir a
consciência dos seres humanos.
E desenvolver a consciência é sempre uma
difícil missão para o professor. Muitas vezes, diante das dificuldades, o
professor que deveria ser um verdadeiro educador culpa o aluno pelas
dificuldades. O aluno, em contrapartida, diz que o professor não sabe ensinar.
Cria-se, dessa maneira, uma situação de conflito, em que professores e alunos
não se comunicam.
Realmente, o trabalho de educador é despertar
e promover as atividades intelectuais, mas o aluno aprende a partir das suas
disposições de aprender através das atividades. O professor gostaria que seus
alunos fossem pessoas críticas, reflexivas; leitores dedicados, mas
principalmente obedientes. Contudo, aluno bom não é aquele que fica passivo,
apenas ouvindo, não atrapalhando o andamento das aulas. Essa educação vertical
não funciona. A interação precisa acontecer; alunos precisam se posicionar,
questionar, refletir de forma respeitosa e madura.
Os jovens querem se relacionar com reconhecimento,
querem um relacionamento maduro, e o professor sabe que seu papel é o de
“lapidar a pedra bruta do Espírito”. Porém, essa pedra bruta é de mão dupla:
“Ninguém nasce feito, é experimentando-nos no mundo que nós nos fazemos, como
defende Paulo Freire. E ninguém está pronto e acabado, estamos sempre mudando e
se adequando. Por isso, ocorrem as dificuldades crescentes da prática
educacional. Urge novas práticas, novos aprendizados de ambas partes.
Por
essa razão, acredito no desejo de sempre melhorar a educação, e é unindo forças
que a mudança acontece, mas o que se investe na educação é muito pouco diante do
resultado. Permanecendo como está, ela
não estará cumprindo bem o seu importante papel. Os sintomas estão sendo
sentidos, por isso temos que salvá-la.
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