sábado, 12 de fevereiro de 2022

A lógica capitalista na Educação


 

A lógica capitalista na Educação

 A tão malfadada lógica capitalista já contaminou também o processo educativo. O mecanismo da cobrança através da troca de nota, assemelhando ao mecanismo capitalista do lucro suplantou o objetivo maior da educação que é a formação do humano. Temos assistido a uma prática de avalição que na realidade é apenas uma moeda de troca para sua promoção, e como resultado constroem-se “analfabetos secundários”, isto é, pessoas que sabem ler o alfabeto, mas não as ideias; pessoas que assinam seus nomes, mas não conseguem redigir textos claros, nem mesmo em se tratando de uma ordem ou solicitação de serviço. Não basta ensinar o “beabá”, pois como disse Paulo Freire a educação precisa ser libertadora e, portanto, eficiente. Isso até mesmo para impedir que a pessoa fique na condição de subserviência. Freire sempre alertou para isso, dizendo: A opressão é domestificadora. Um obstáculo gravíssimo para a conquista da libertação é que a realidade opressiva absorve os que nela estão e, assim, age para submergir a consciência dos seres humanos.  

E desenvolver a consciência é sempre uma difícil missão para o professor. Muitas vezes, diante das dificuldades, o professor que deveria ser um verdadeiro educador culpa o aluno pelas dificuldades. O aluno, em contrapartida, diz que o professor não sabe ensinar. Cria-se, dessa maneira, uma situação de conflito, em que professores e alunos não se comunicam.  

 Realmente, o trabalho de educador é despertar e promover as atividades intelectuais, mas o aluno aprende a partir das suas disposições de aprender através das atividades. O professor gostaria que seus alunos fossem pessoas críticas, reflexivas; leitores dedicados, mas principalmente obedientes. Contudo, aluno bom não é aquele que fica passivo, apenas ouvindo, não atrapalhando o andamento das aulas. Essa educação vertical não funciona. A interação precisa acontecer; alunos precisam se posicionar, questionar, refletir de forma respeitosa e madura.

Os jovens querem se relacionar com reconhecimento, querem um relacionamento maduro, e o professor sabe que seu papel é o de “lapidar a pedra bruta do Espírito”. Porém, essa pedra bruta é de mão dupla: “Ninguém nasce feito, é experimentando-nos no mundo que nós nos fazemos, como defende Paulo Freire. E ninguém está pronto e acabado, estamos sempre mudando e se adequando. Por isso, ocorrem as dificuldades crescentes da prática educacional. Urge novas práticas, novos aprendizados de ambas partes.

 Por essa razão, acredito no desejo de sempre melhorar a educação, e é unindo forças que a mudança acontece, mas o que se investe na educação é muito pouco diante do resultado.  Permanecendo como está, ela não estará cumprindo bem o seu importante papel. Os sintomas estão sendo sentidos, por isso temos que salvá-la.


 

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