Sala de aula – podem acontecer algumas
mudanças?
Temos na Escola uma agitação própria, um
pulsar de vida, uma inquietação que não se iguala a outros locais.
A apresentação de fatores que interferem para
o sucesso ou não da Escola, não se esgota em poucas análises. Muitos motivos
poderiam ser listados, mas resolvi priorizar alguns, conforme minha vivência, o
que minimizaria e muito os insucessos.
Inicialmente, é bom ver nossos alunos como os
agentes transformadores também da sociedade, por isso podemos responsabilizar
ainda mais o papel da escola na formação deles, priorizando a cidadania, que
vai além de formá-los para serem empreendedores de sua vida. O objetivo deveria
não se pautar apenas nos conteúdos, mas uma formação para que sejam
cidadãos(as) conscientes do papel social/político que desempenham. A Escola tem
que ter um novo olhar para aflorar essa consciência, não se esquecendo de seus
talentos.
É certo que a educação se completa também na
escola, por isso ela intervém diretamente na sociedade, mas ela não tem
cumprido bem o seu papel. Não acompanhou a evolução dos tempos, ela ainda é
reprodutora de antigos modelos, apesar dos belos discursos de mudança e de
estar usando os mecanismos inovadores da tecnologia.
Os tempos mudaram e, consequentemente, a
cultura estabelecida alterou. Faço agora um paralelo com as Escolas que temos.
Na minha época (há boas dezenas de anos), e mesmo na época de minha mãe, avó, a
sala de aula tinha a mesma formatação. Hoje, nada mudou e ainda temos um número
elevado de alunos por metro quadrado. No entanto, mesmo que respeitassem o
número de 35 a 40 alunos por sala, podem ter certeza é impossível ter um bom
desempenho com apenas um professor em sala tão numerosa, aumentando ainda mais
a dificuldade se levarmos em consideração a hiperatividade dos alunos de hoje.
O ponto de partida para entender e mudar o
resultado na educação é reconhecer que a energia de nossos alunos está
diferente da de tempos atrás. Ter um número de alunos na sala de aula que
permita que eles sejam observados, orientadas, avaliados e estimulados pelo
professor, deve ser, portanto, o começo. Esse é realmente um fator e deveria
ser o ponto de partida para a efetiva mudança, ou melhor, dizendo, o que vai
interferir diretamente em um bom resultado.
É
interessante notar que, apesar das dificuldades, ainda tentamos nos aproximar
de cada um de nossos alunos, momento em que procuramos ajudá-los melhor. Quando
isso acontece, passamos a compreender seus comportamentos e passamos a agir de
modo diferente.
Ter
oportunidade de entender os alunos, observar sua autoestima, faz-nos vê-los
melhor. Apesar de não gostar do termo “julgar” seria hipocrisia dizer que nós
professores não usamos sempre desse “direito”, dessa atribuição, dessa
possibilidade, em relação aos nossos alunos. Por isso, dentro da sala de aula, ter
um número ideal de alunos é prioridade para acontecer uma melhor avaliação do
crescimento de nossos alunos.
Podemos
detectar algumas características de alunos: existem aqueles estudantes em
potencial porque reconhecem que a Escola é muito mais que um local de encontro
com os colegas e assim priorizam a busca do conhecimento, participam realmente
das aulas e sabem que o seu tempo deve ser bem aproveitado, para chegar à
aprendizagem. São os alunos naturalmente disciplinados. Sem deixar de serem
sociáveis. Outros são aqueles que buscam na escola apenas o papel social, que
ela cumpre muito bem. Sentem-se felizes por estarem em contato com os colegas
com os mesmos problemas da idade, querem identidade. Estudar, construir
conhecimento, não é prioridade. São os alunos que têm sempre atitudes de
indisciplina ou desinteresse, prevalecendo entre eles o termo “não estou nem
aí”. Um outro grupo, é o de total desinteresse, estão em sala de aula, mas
indiferentes a tudo o que acontece. Talvez têm pouca esperança em relação ao
seu futuro e ficam indiferentes quanto ao fracasso na aprendizagem.
Enfim, para um grande número de alunos, a
vitória está muito distante de suas vidas, assim o desinteresse prevalece. Mas,
o professor poderia ajudá-los ao dar uma atenção especial, um atendimento mais
individualizado, se tivesse disponibilidade para isso. Por essa razão, a defesa
de que é preciso menos alunos em cada sala de aula.
Que bom
se os professores reconhecessem também como aluno em potencial, todos os seus
alunos e os conquistassem para que atentassem sobre a importância do tempo na
Escola. Dessa maneira, eles saberiam o sentido de ali estarem, muito além de
uma obrigação. A Escola seria uma extensão da família, que com o apoio desta,
oportunizaria o conhecimento para serem agentes transformadores positivos da
sociedade. Mais do que isso, para serem pessoas conscientes e realizadas.
Hoje, esbarramos em outra dificuldade: a
Escola tem sido um palco onde se trava uma luta entre a opção de preservação
dos conservadores versus modelo progressista. Preservação dos conservadores é
quando consideram que a engrenagem da Escola está correta, não precisa mudar
nada, apenas fazer com que funcione, colocando limites e seguindo o que temos
já estabelecido, priorizando a disciplina, a grade curricular. E que precisa
apenas inovar quanto às novas tecnologias.
Os
progressistas sabem que as normas para um bom funcionamento têm que existir e
devem ser respeitadas, mas querem ir além. Reconhecem que a Escola ideal é
aquela que acompanha a mudança do mundo, que cultiva valores humanos em
detrimento dos materiais, que busca a realização do ser, engajado na
consciência da construção de uma sociedade sem mascaramentos.
Urge investir em mais elemento humano nas
escolas, para que façam projetos e desenvolvam nos alunos o que eles têm de
melhor. Urge valorizar financeiramente mais este profissional, a fim de que ele
possa se dedicar a esta responsável tarefa.
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