sábado, 12 de fevereiro de 2022

Sala de aula - podem acontecer algumas mudanças?


 

Sala de aula – podem acontecer algumas mudanças?

 

Temos na Escola uma agitação própria, um pulsar de vida, uma inquietação que não se iguala a outros locais.

A apresentação de fatores que interferem para o sucesso ou não da Escola, não se esgota em poucas análises. Muitos motivos poderiam ser listados, mas resolvi priorizar alguns, conforme minha vivência, o que minimizaria e muito os insucessos.

 Inicialmente, é bom ver nossos alunos como os agentes transformadores também da sociedade, por isso podemos responsabilizar ainda mais o papel da escola na formação deles, priorizando a cidadania, que vai além de formá-los para serem empreendedores de sua vida. O objetivo deveria não se pautar apenas nos conteúdos, mas uma formação para que sejam cidadãos(as) conscientes do papel social/político que desempenham. A Escola tem que ter um novo olhar para aflorar essa consciência, não se esquecendo de seus talentos.

É certo que a educação se completa também na escola, por isso ela intervém diretamente na sociedade, mas ela não tem cumprido bem o seu papel. Não acompanhou a evolução dos tempos, ela ainda é reprodutora de antigos modelos, apesar dos belos discursos de mudança e de estar usando os mecanismos inovadores da tecnologia.

Os tempos mudaram e, consequentemente, a cultura estabelecida alterou. Faço agora um paralelo com as Escolas que temos. Na minha época (há boas dezenas de anos), e mesmo na época de minha mãe, avó, a sala de aula tinha a mesma formatação. Hoje, nada mudou e ainda temos um número elevado de alunos por metro quadrado. No entanto, mesmo que respeitassem o número de 35 a 40 alunos por sala, podem ter certeza é impossível ter um bom desempenho com apenas um professor em sala tão numerosa, aumentando ainda mais a dificuldade se levarmos em consideração a hiperatividade dos alunos de hoje.

O ponto de partida para entender e mudar o resultado na educação é reconhecer que a energia de nossos alunos está diferente da de tempos atrás. Ter um número de alunos na sala de aula que permita que eles sejam observados, orientadas, avaliados e estimulados pelo professor, deve ser, portanto, o começo. Esse é realmente um fator e deveria ser o ponto de partida para a efetiva mudança, ou melhor, dizendo, o que vai interferir diretamente em um bom resultado.

 É interessante notar que, apesar das dificuldades, ainda tentamos nos aproximar de cada um de nossos alunos, momento em que procuramos ajudá-los melhor. Quando isso acontece, passamos a compreender seus comportamentos e passamos a agir de modo diferente.

 Ter oportunidade de entender os alunos, observar sua autoestima, faz-nos vê-los melhor. Apesar de não gostar do termo “julgar” seria hipocrisia dizer que nós professores não usamos sempre desse “direito”, dessa atribuição, dessa possibilidade, em relação aos nossos alunos. Por isso, dentro da sala de aula, ter um número ideal de alunos é prioridade para acontecer uma melhor avaliação do crescimento de nossos alunos.

 Podemos detectar algumas características de alunos: existem aqueles estudantes em potencial porque reconhecem que a Escola é muito mais que um local de encontro com os colegas e assim priorizam a busca do conhecimento, participam realmente das aulas e sabem que o seu tempo deve ser bem aproveitado, para chegar à aprendizagem. São os alunos naturalmente disciplinados. Sem deixar de serem sociáveis. Outros são aqueles que buscam na escola apenas o papel social, que ela cumpre muito bem. Sentem-se felizes por estarem em contato com os colegas com os mesmos problemas da idade, querem identidade. Estudar, construir conhecimento, não é prioridade. São os alunos que têm sempre atitudes de indisciplina ou desinteresse, prevalecendo entre eles o termo “não estou nem aí”. Um outro grupo, é o de total desinteresse, estão em sala de aula, mas indiferentes a tudo o que acontece. Talvez têm pouca esperança em relação ao seu futuro e ficam indiferentes quanto ao fracasso na aprendizagem.

Enfim, para um grande número de alunos, a vitória está muito distante de suas vidas, assim o desinteresse prevalece. Mas, o professor poderia ajudá-los ao dar uma atenção especial, um atendimento mais individualizado, se tivesse disponibilidade para isso. Por essa razão, a defesa de que é preciso menos alunos em cada sala de aula.

 Que bom se os professores reconhecessem também como aluno em potencial, todos os seus alunos e os conquistassem para que atentassem sobre a importância do tempo na Escola. Dessa maneira, eles saberiam o sentido de ali estarem, muito além de uma obrigação. A Escola seria uma extensão da família, que com o apoio desta, oportunizaria o conhecimento para serem agentes transformadores positivos da sociedade. Mais do que isso, para serem pessoas conscientes e realizadas.

Hoje, esbarramos em outra dificuldade: a Escola tem sido um palco onde se trava uma luta entre a opção de preservação dos conservadores versus modelo progressista. Preservação dos conservadores é quando consideram que a engrenagem da Escola está correta, não precisa mudar nada, apenas fazer com que funcione, colocando limites e seguindo o que temos já estabelecido, priorizando a disciplina, a grade curricular. E que precisa apenas inovar quanto às novas tecnologias.

 Os progressistas sabem que as normas para um bom funcionamento têm que existir e devem ser respeitadas, mas querem ir além. Reconhecem que a Escola ideal é aquela que acompanha a mudança do mundo, que cultiva valores humanos em detrimento dos materiais, que busca a realização do ser, engajado na consciência da construção de uma sociedade sem mascaramentos.

Urge investir em mais elemento humano nas escolas, para que façam projetos e desenvolvam nos alunos o que eles têm de melhor. Urge valorizar financeiramente mais este profissional, a fim de que ele possa se dedicar a esta responsável tarefa.

 

 

 

 

 

 

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