sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

A pergunta é: "por que Deus não interfere?"


 

A pergunta é: “por que Deus não interfere?"

 

Inicio a reflexão a partir do “por que”. Acreditava estar em proteção, e uma boa conexão com as forças positivas. Explicando melhor, em abril recebi um convite de uma devota de Nossa Senhora que prometeu escolher dez pessoas de seu relacionamento para rezar o terço no mês de maio. Para quem não sabe este é um mês da igreja católica dedicada à Ela.  Confesso que achei muito rezar um terço todos os dias por um mês, como queria. O comprometimento a partir daquele telefonema, dizendo ter sido eu a escolhida e não a minha irmã Ly porque esta já naturalmente é uma pessoa orante. Senti pressionada naquela hora tendo que dizer sim ou não ao convite.   Aceitei e logo defini o horário em que pela TV acompanharia a reza do terço com o Padre Antônio Maria. No dia 31 de maio liguei para comunicar que cumpri o prometido e confessei ter sido prazerosa a tarefa, e na medida do possível tenho continuado o momento de oração, afinal orar é pedir ajuda, e sempre temos um por que, e por quem pedir ajuda.

Este é o primeiro momento da explicação de como sentia imune ao mal. Entretanto, eis que um belo dia ao receber um dinheiro expressivo, displicentemente vou em direção ao carro e logo que entrei, um motoboy ordena que entregasse a bolsa. Assustada nem questionei, entreguei e lá foi ele com toda uma vida organizada. Carregava todos os documentos, cartões, dinheiro, celular. Perplexa e indignada pensei: ouço tanto falar em roubo e hoje sou eu! Questionei as  rezas de  tantos dias, e agora sofrendo esta provação. Eta ingenuidade pensar assim! As orações não são  moeda de troca. Melhor pensar  que ela nos deixa mais confiante, mais fortes para as dificuldades.

Em um segundo momento questionei:  Será que Deus não interfere nos fatos negativos da nossa vida?  Bem, este meu caso é um varejo, porque o mundo está sempre passando por problemas grandiosos e parece deixado à sua própria sorte.

Em um terceiro momento, procurei buscar em fatos até mesmo bíblicos para entender a autoridade de Deus

Na Bíblia, no livro de Gênesis, a passagem que conta o Dilúvio e a arca de Noé foi a primeira intervenção, destruindo e perecendo tudo para recomeçar. Mito ou não, o relato mostra a ação de Deus em uma terra corrompida e nos faz pensar que quando impera o mal como a violência, a corrupção, é porque a paciência de Deus tem limite. O dilúvio pode ser uma representação simbólica desse limite. Na verdade, Ele não quer que a degradação humana seja vitoriosa, por isso nos dá algumas oportunidades para refletir.

Outra passagem Bíblica foi a da destruição de Sodoma e Gomorra no livro do Genesis e até no livro do Alcorão, citando a destruição dessas cidades nefastas.  A destruição fala em fortes raios de fogo e enxofre do céu, era a ira de Deus porque não havia nem 10 pessoas justas na cidade. Um antro de pecado, uma cidade promíscua, eram maus e grandes pecadores, uma verdadeira degeneração moral. Para provar a veracidade da história até hoje tem pesquisas e escavações arqueológicas para buscar evidências que comprovam e apoiam a legitimidade desse fato do juízo de Deus.

 Ainda na Bíblia, outra passagem muito interessante é a do Êxodo, que quer dizer “saída”, que traz um relado da libertação de um povo escravizado no Egito. O motivo foi a compaixão de Deus ao ouvir o clamor do povo sofredor. Moises pede que o Faraó liberte os filhos de Israel que se recusa a fazê-lo e assim Deus envia as pragas para afligir o Egito. A passagem mais marcante é a abertura do Mar Vermelho para Israel, e o exército do faraó perece sob as águas. Moises recebe as tábuas com os 10 mandamentos.

A humanidade assistiu a vários Impérios se desmoronarem, e todos voltando ao pó da terra. Cegos pela vaidade, não entenderam como tudo é efêmero. Com certeza a mão pesada é a consequência das responsabilidades nas escolhas.  Existiram também pessoas dignas, de nobre caráter, talentosas, com realizações grandiosas, dignos de serem chamados filhos de Deus.  Parece que o mundo não acaba, mas chega ao fim de muitas situações, é como a velhice sendo consequência da juventude.

 Gosto da Passagem de “Lázaro e o rico” que depois da morte teve o rico um lugar degradante e Lázaro a recompensa. Quis o rico ter a chance de voltar e avisar aos seus parentes que se salvassem, mudando de atitudes, mas lhe foi negado, pois eles estavam recebendo suas oportunidades e conhecimentos, cabendo a eles escolherem. Assim, mostra um Deus que não interfere nas nossas escolhas em vida, mas para quem acredita ele será sempre justo.

Hoje quando assisto à natureza sendo destruída por várias ações da maldade humana como as queimadas, desastres em todo sentido, penso que ainda levará tempo para a regeneração do homem. Porém, sei que Deus ainda permitirá que as chuvas recuperem muito do que foi arrasado, através do ato soberano de amor, de sua misericórdia, mas a responsabilidade cobra seu preço. Parece que ninguém gosta de ser disciplinado. De tempos em tempos temos assistimos a inexplicáveis acontecimentos, fatos como esta situação de pandemia mundial, que não imaginaríamos passar, acabando com a normalidade da vida, alterando toda uma ordem. Se foi criado ou não o vírus pouco interessa! Alguma coisa precisamos aprender.

O Deus criador está no comando de tudo, por que não interfere? Será que tem o propósito de colocar limites no mundo? As histórias Bíblicas ou da humanidade mostram que as ambições e conquistas foram passageiras, nada nem ninguém nos pertence em definitivo.  

Quando iniciei o texto analisei a ingenuidade do salvo conduto de muitas aflições ao ser uma pessoa que reza, que procura conectar com o bem e, portanto, estaria imune de muitas situações ruins. Simplifiquei muito o sentido da vida ao assim pensar. Até mesmo vivendo momentos ruins  se faz necessário tirar proveito dos ensinamentos pela dor. Bom mesmo é ter fé em momentos de dificuldades porque ela nos faz ter a certeza que Deus não nos desampara é acreditar na sua ajuda com nossa participação.

A provação vem de Deus a tentação não! Melhor acreditar que ele nos guarda, e não precisaria perguntar como fez aos apóstolos. "Vós ainda não compreendeis?" Se entendermos que não estamos sós, a interferência em nossa vida deve assim ser compreendida. 

 

2 comentários:

  1. Gostei muito Geni do seu texto! Principalmente na conclusão:"que Deus não nos desampara" e principalmente c/a nossa ajuda e termos fé que seremos ajudados por Ele!

    ResponderExcluir
  2. Concluo que concorda: Faça sua parte que eu te ajudarei.

    ResponderExcluir