A " Doença" não respeita fronteira
O sentimento é sempre muito subjetivo, mas
tudo que se torna fora da rotina escolhida, principalmente a situação de
isolamento necessário, em função da pandemia, causada pela Covid 19, realmente
não é agradável. O humano é fundamentalmente um ser social. Os confortos e
comunicações através da tecnologia que nos foram oferecidos como alternativa
não substituem o convívio presencial, o olho no olho, o toque, as carícias.
Essa realidade experimentada por todos, levou-me a pensar na situação dos
encarcerados.
O sistema carcerário do Brasil tem suas
deficiências como a insalubridade e superlotação das celas, esta situação
auxilia a proliferação de epidemias e o contágio de doenças principalmente o
HIV. Estima-se que 20% dos presos são
portadores do HIV, tendo o sistema imunológico comprometido, o que agrava o
estado de saúde do encarcerado, caso seja acometido pelo coronavírus.
Os presidiários estão despojados de toda sua
dignidade com sentimentos de desamparo, melancolia, alienados, abandonados,
desesperados, resignados, enfim uma vida em frangalhos, privados das
necessidades básicas para sentirem castigados em suas ações com o peso da
acusação. É talvez na rigidez da condenação que provavelmente reconheça o que
trouxe para o sofrimento.
A prisão sepulta bons sentimentos de pessoas
que lá vivem, assim a solidão da reclusão faz conhecer o sofrimento do
desespero, porque não é fácil ter o sentimento de que foi vencido, ao complicar
sua vida por ter favorecido a chance do mal. Na prisão, uma boa pessoa pode
tornar-se sádica(o) ou a malvada(o) pode tornar-se bom. Conclusão de quem
conhece bem esse universo. O certo é que se faz necessário o florescer de
relações humanas entre eles. Aqui também o toque de humanidade deve respeitar o
tempo de cada um.
Na maioria das vezes, quando analisada a vida
de um(a) detento(a) o rosto é devastado pelo mal, diante do erro que cometeu, o
seu insucesso. Provavelmente, seu sofrimento tem histórico desde criança o que
faz bem a diferença. Geralmente uma infância com acúmulo de sofrimento, sem
nenhum afeto, o que leva a querer uma desforra na vida adulta. É muito bom, quando não encontra o dedo em
riste sempre em condenação, quando não identifica o mal em primeiro lugar, mas
antes o ser humano que deveria ser do bem.
Entretanto, é compreensível que a vítima
espere e exija justiça, para que pague sua conta com a prisão e não o
entendimento ou o perdão. Ao contrário, deseja a rigidez do julgamento. Se a prisão entrou em sua vida, que aprenda a
conviver com ela e construa, mesmo neste frio local, suportando a dor, porque
um dia o mal fascinou e a pessoa cedeu arruinando sua vida e da família. O fim
foi a vergonha e desespero na cela.
É preciso destacar, há pessoas que sofrem de
distúrbio psíquico com comportamentos de forma irregular e antissocial, com
grande propensão ao mal, enquadrando aí os psicopatas. A escolha do caminho
para o bem ou para o mal com hábitos e atitudes enraizadas a partir do caráter
é que permite a prática de uma vida livre ou não. A perda da liberdade de
alguém acontece para que os outros tenham direito a viver tranquilos em sua
liberdade.
Existe,
no entanto condenação por indícios, e assim injusta, o que revela quase uma
provação para a pessoa neste seu sofrimento.
A materialização de culpa cometida é com muitas fragilidades e mesmo sem
total comprovação. Parece que a vida
virou as costas definitivamente e o mal venceu em sua plenitude.
Para quem sente o peso de uma acusação
comprovada, a verdade é o que importa. Para sujeitar ao cumprimento da pena, a
aceitação do sofrimento imposto é fundamental.
Espera-se que os magistrados, juízes e
advogados mantenham-se retos no exercício de seu serviço em favor do Estado e
dos seus cidadãos. É de conhecimento que
existem exceções, são aqueles que usam máscaras enganadoras de
respeitabilidade, com armas da hipocrisia, com ganância, ou seja, sede de poder
e dinheiro. A rigidez do julgamento tem que ser de pura verdade e de plena
justiça e nunca ficar à espera da inegável justiça Divina.
Uma vez expiadas as penas, espera-se que a
sociedade os receba como filhos da mesma humanidade. Bom seria que todos dessem
outra chance a quem favoreceu o mal, mas cumpriu sua pena, e aceitá-los
novamente como seres humanos, agora a serviço do bem. É preciso torna-se uma
pessoa diferente, capaz de amar a si próprio e ao outro novamente, e que ele
seja ajudado nesta transformação do ser pessoa, erguendo-se de sua fraqueza.
O sentido da vida é a felicidade, bom será que
esta nova pessoa tenha esperança e volte a ter alegria consigo mesmo e com
alguém. Que se perdoe, por ter sido
seduzido pelo mal. O poder maligno e suas inúmeras formas de sedução aproveitam
sempre de vidas vulneráveis e o comando vem do mal. Por isso, é bom não nos
deixarmos no comando das trevas e sim merecedores do poder da luz, conectando
com boas energias sempre. Que a tentação não resulte em uma prisão na solidão!
Sugestão de prece: “Jesus consola-nos e
sustenta-nos na nossa provação à espera do seu reino”. Amém.
Feliz de quem tem fé, porque quando o
inexplicável acontece na nossa vida como essa pandemia no mundo, a
Espiritualidade leva ao encontro com o elevado esperando pela compaixão e
confiando que Deus, criador de tudo, sempre cuida da gente porque a obra de
Deus é o amor.
Estamos privados da nossa liberdade, no
isolamento, mas pode-se ter aspectos positivos depois da fase aguda do coronavírus
ou se tivermos que conviver com ele ou outras mazelas, espera-se ter uma vida
mais pobre de bens materiais, mas uma vida mais rica de valores reais, mais
fraterna, mais humana, mais cristã.
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