sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

A "doença" não respeita fonteira


 

A " Doença"  não respeita fronteira

O sentimento é sempre muito subjetivo, mas tudo que se torna fora da rotina escolhida, principalmente a situação de isolamento necessário, em função da pandemia, causada pela Covid 19, realmente não é agradável. O humano é fundamentalmente um ser social. Os confortos e comunicações através da tecnologia que nos foram oferecidos como alternativa não substituem o convívio presencial, o olho no olho, o toque, as carícias. Essa realidade experimentada por todos, levou-me a pensar na situação dos encarcerados.

O sistema carcerário do Brasil tem suas deficiências como a insalubridade e superlotação das celas, esta situação auxilia a proliferação de epidemias e o contágio de doenças principalmente o HIV.  Estima-se que 20% dos presos são portadores do HIV, tendo o sistema imunológico comprometido, o que agrava o estado de saúde do encarcerado, caso seja acometido pelo coronavírus. 

Os presidiários estão despojados de toda sua dignidade com sentimentos de desamparo, melancolia, alienados, abandonados, desesperados, resignados, enfim uma vida em frangalhos, privados das necessidades básicas para sentirem castigados em suas ações com o peso da acusação. É talvez na rigidez da condenação que provavelmente reconheça o que trouxe para o sofrimento.

A prisão sepulta bons sentimentos de pessoas que lá vivem, assim a solidão da reclusão faz conhecer o sofrimento do desespero, porque não é fácil ter o sentimento de que foi vencido, ao complicar sua vida por ter favorecido a chance do mal. Na prisão, uma boa pessoa pode tornar-se sádica(o) ou a malvada(o) pode tornar-se bom. Conclusão de quem conhece bem esse universo. O certo é que se faz necessário o florescer de relações humanas entre eles. Aqui também o toque de humanidade deve respeitar o tempo de cada um.

Na maioria das vezes, quando analisada a vida de um(a) detento(a) o rosto é devastado pelo mal, diante do erro que cometeu, o seu insucesso. Provavelmente, seu sofrimento tem histórico desde criança o que faz bem a diferença. Geralmente uma infância com acúmulo de sofrimento, sem nenhum afeto, o que leva a querer uma desforra na vida adulta.  É muito bom, quando não encontra o dedo em riste sempre em condenação, quando não identifica o mal em primeiro lugar, mas antes o ser humano que deveria ser do bem.

Entretanto, é compreensível que a vítima espere e exija justiça, para que pague sua conta com a prisão e não o entendimento ou o perdão. Ao contrário, deseja a rigidez do julgamento.  Se a prisão entrou em sua vida, que aprenda a conviver com ela e construa, mesmo neste frio local, suportando a dor, porque um dia o mal fascinou e a pessoa cedeu arruinando sua vida e da família. O fim foi a vergonha e desespero na cela.

É preciso destacar, há pessoas que sofrem de distúrbio psíquico com comportamentos de forma irregular e antissocial, com grande propensão ao mal, enquadrando aí os psicopatas. A escolha do caminho para o bem ou para o mal com hábitos e atitudes enraizadas a partir do caráter é que permite a prática de uma vida livre ou não. A perda da liberdade de alguém acontece para que os outros tenham direito a viver tranquilos em sua liberdade.

 Existe, no entanto condenação por indícios, e assim injusta, o que revela quase uma provação para a pessoa neste seu sofrimento.  A materialização de culpa cometida é com muitas fragilidades e mesmo sem total comprovação.  Parece que a vida virou as costas definitivamente e o mal venceu em sua plenitude.

Para quem sente o peso de uma acusação comprovada, a verdade é o que importa. Para sujeitar ao cumprimento da pena, a aceitação do sofrimento imposto é fundamental.

 Espera-se que os magistrados, juízes e advogados mantenham-se retos no exercício de seu serviço em favor do Estado e dos seus cidadãos.  É de conhecimento que existem exceções, são aqueles que usam máscaras enganadoras de respeitabilidade, com armas da hipocrisia, com ganância, ou seja, sede de poder e dinheiro. A rigidez do julgamento tem que ser de pura verdade e de plena justiça e nunca ficar à espera da inegável justiça Divina.

Uma vez expiadas as penas, espera-se que a sociedade os receba como filhos da mesma humanidade. Bom seria que todos dessem outra chance a quem favoreceu o mal, mas cumpriu sua pena, e aceitá-los novamente como seres humanos, agora a serviço do bem. É preciso torna-se uma pessoa diferente, capaz de amar a si próprio e ao outro novamente, e que ele seja ajudado nesta transformação do ser pessoa, erguendo-se de sua fraqueza.

O sentido da vida é a felicidade, bom será que esta nova pessoa tenha esperança e volte a ter alegria consigo mesmo e com alguém.  Que se perdoe, por ter sido seduzido pelo mal. O poder maligno e suas inúmeras formas de sedução aproveitam sempre de vidas vulneráveis e o comando vem do mal. Por isso, é bom não nos deixarmos no comando das trevas e sim merecedores do poder da luz, conectando com boas energias sempre. Que a tentação não resulte em uma prisão na solidão!

Sugestão de prece: “Jesus consola-nos e sustenta-nos na nossa provação à espera do seu reino”.  Amém.

Feliz de quem tem fé, porque quando o inexplicável acontece na nossa vida como essa pandemia no mundo, a Espiritualidade leva ao encontro com o elevado esperando pela compaixão e confiando que Deus, criador de tudo, sempre cuida da gente porque a obra de Deus é o amor.

Estamos privados da nossa liberdade, no isolamento, mas pode-se ter aspectos positivos depois da fase aguda do coronavírus ou se tivermos que conviver com ele ou outras mazelas, espera-se ter uma vida mais pobre de bens materiais, mas uma vida mais rica de valores reais, mais fraterna, mais humana, mais cristã.

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