sábado, 12 de fevereiro de 2022

O Prazer de ser Professor


 

                                       O PRAZER DE SER PROFESSOR

 

Texto de Geni Nogueira publicado no jornal Diálogo de professor para professor da Secretaria de Educação de Minas Gerais.

 

Não é preciso conhecer muitos professores para saber que eles amam o que fazem. Mas, hoje, mais do que em qualquer outra época temos visto professores que não encontram prazer na função que exercem, o que tem contribuído para que a ação de ensinar esteja se distanciando, a cada dia, do prazer.

O que pode ser feito para afastar a sensação de que ensinar é um fardo?

Parece-nos acertado dizer que o grande desafio é a interação professor/aluno. Para sentir prazer em ensinar o que o aluno quer e precisa saber, o professor precisa de sua participação positiva e ativa e efetiva.

O aluno é um ser humano, complexo como toda a espécie humana. Com suas indiferenças ou indisciplinas quase sempre ensina ao professor que a instituição escola tem que se abrir para o mundo, acompanhar a evolução dos tempos, exercendo a crítica, com capacidade de se adequar a cada situação, momento, contexto. Não adianta, nessa perspectiva, apenas treiná-lo para dar “respostas certas”. O aluno não quer o conhecimento em estado puro, ele o quer como algo atraente que o instigue, que o estimule, que lhe traga satisfação.

Sabemos que, quando a aprendizagem na escola tem como produto o fracasso, não podemos aceitar esse resultado. Precisamos então, buscar alternativa – suportes, como costumo dizer – para nosso trabalho.  Quando pedimos ajuda ao serviço de orientação da escola, este deve também ter condições para atender as demandas do professor e do aluno. Quando procuramos conhecer a estrutura familiar do aluno e recorremos aos pais esperando sua contribuição, estes devem colaborar conosco. Quando apresentamos projetos capazes de auxiliar nosso trabalho, estes devem ser avaliados e aceitos. Se houver conjugação de forças na ação educativa, o sentimento de derrota passa longe do professor. E o prazer de ser professor emerge.

  É bem verdade que a ação de educar é propriedade de todo ser humano, e não tem fim. A vida toda aprendemos com alguém alguma coisa. Mas o professor é, por excelência, aquele que ensina. Para ele, mais que para os outros, vale a máxima “quem ensina aprende, quem aprende também ensina”. Aprendemos a cuidar da responsabilidade pela formação do novo cidadão e esse será o responsável pela transformação de seu entorno e, consequentemente, da sociedade.

Nessa consciência, aumenta ainda mais a responsabilidade quanto ao nosso papel de educador e de formador e, por isso, temos a responsabilidade de buscar todos os recursos possíveis para reverter o fracasso de nossos alunos – e o nosso próprio - e para ajudá-los a se constituírem cidadãos autônomos com boa autoestima. Esse é um aspecto a que o professor deve estar sempre atento. Professores com baixa autoestima são infelizes e professores infelizes utilizam métodos destrutivos, passando esse sentimento a seus alunos.  Aqueles que são capazes de nutrir a autoestima de outra pessoa, precisam primeiro cuidar desse sentimento em si próprio, exercendo a experiência de aceitação e respeito em tempo integral. Aí está uma lição de cidadania: a pessoa com autoconceito positivo não é egoísta, mas solidária.

 Em 15 de outubro comemora-se o “Dia do Professor”. Espero que, como eu, você não tenha se arrependido de ter escolhido esta profissão, mesmo que algumas vezes a responsabilidade lhe dê a sensação de um fardo. É bem verdade que não temos a valorização que merecemos, no entanto aprendemos a exercitar a virtude da esperança. Queremos acreditar que um dia virá o reconhecimento. Fazer o que se ama e ser reconhecido, isso sim, é uma “realização”. Mas enquanto esse dia não chega, façamos o possível para não afastar de nós o prazer de ser professor.

 Formulo aqui os meus desejos, esperando que os colegas professores concordem com eles. Poderia, sem pretensão, dizer que são sugestões para atingir um melhor resultado na nossa prática educativa.

- Que toda sala de aula tenha um número de alunos que permita ao professor observá-los, percebê-los, orientá-los, avaliá-los e estimulá-los.

- Que o professor sinta prazer em estar na sala de aula e cumpra a tarefa a que se propôs sentindo cada aluno como se fosse um filho.

-  Que o ambiente da escola seja de amizade, solidariedade, respeito e justiça.

- Que a escola tenha projetos para atender às necessidades no processo ensino-aprendizagem.

- Que os alunos sejam responsáveis, tenham curiosidade intelectual e deem respaldo ao professor para desenvolver com eles um bom trabalho.

- Que a escola seja um “porto seguro” para os pais que têm esperança de que nela seus filhos também sejam educados.

- Que a escola cumpra também o seu papel social, sendo um espaço alegre, e que haja a cooperação de todos para o seu bom funcionamento.

- Que a escola seja uma Instituição valorizada, já que a Educação é fundamental para a construção de cidadãos solidários; cientes de sua responsabilidade social, o professor há de entender que o ato de ensinar é um exercício de imortalidade.


 

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