Texto
de Geni Nogueira publicado no jornal Diálogo de professor para professor da
Secretaria de Educação de Minas Gerais.
Não
é preciso conhecer muitos professores para saber que eles amam o que fazem. Mas,
hoje, mais do que em qualquer outra época temos visto professores que não
encontram prazer na função que exercem, o que tem contribuído para que a ação
de ensinar esteja se distanciando, a cada dia, do prazer.
O
que pode ser feito para afastar a sensação de que ensinar é um fardo?
Parece-nos
acertado dizer que o grande desafio é a interação professor/aluno. Para sentir
prazer em ensinar o que o aluno quer e precisa saber, o professor precisa de
sua participação positiva e ativa e efetiva.
O
aluno é um ser humano, complexo como toda a espécie humana. Com suas
indiferenças ou indisciplinas quase sempre ensina ao professor que a
instituição escola tem que se abrir para o mundo, acompanhar a evolução dos
tempos, exercendo a crítica, com capacidade de se adequar a cada situação,
momento, contexto. Não adianta, nessa perspectiva, apenas treiná-lo para dar “respostas
certas”. O aluno não quer o conhecimento em estado puro, ele o quer como algo
atraente que o instigue, que o estimule, que lhe traga satisfação.
Sabemos
que, quando a aprendizagem na escola tem como produto o fracasso, não podemos
aceitar esse resultado. Precisamos então, buscar alternativa – suportes, como
costumo dizer – para nosso trabalho.
Quando pedimos ajuda ao serviço de orientação da escola, este deve também
ter condições para atender as demandas do professor e do aluno. Quando
procuramos conhecer a estrutura familiar do aluno e recorremos aos pais
esperando sua contribuição, estes devem colaborar conosco. Quando apresentamos
projetos capazes de auxiliar nosso trabalho, estes devem ser avaliados e aceitos.
Se houver conjugação de forças na ação educativa, o sentimento de derrota passa
longe do professor. E o prazer de ser professor emerge.
É bem verdade que a ação de educar é
propriedade de todo ser humano, e não tem fim. A vida toda aprendemos com
alguém alguma coisa. Mas o professor é, por excelência, aquele que ensina. Para
ele, mais que para os outros, vale a máxima “quem ensina aprende, quem aprende
também ensina”. Aprendemos a cuidar da responsabilidade pela formação do novo
cidadão e esse será o responsável pela transformação de seu entorno e,
consequentemente, da sociedade.
Nessa
consciência, aumenta ainda mais a responsabilidade quanto ao nosso papel de
educador e de formador e, por isso, temos a responsabilidade de buscar todos os
recursos possíveis para reverter o fracasso de nossos alunos – e o nosso próprio
- e para ajudá-los a se constituírem cidadãos autônomos com boa autoestima.
Esse é um aspecto a que o professor deve estar sempre atento. Professores com
baixa autoestima são infelizes e professores infelizes utilizam métodos
destrutivos, passando esse sentimento a seus alunos. Aqueles que são capazes de nutrir a autoestima
de outra pessoa, precisam primeiro cuidar desse sentimento em si próprio,
exercendo a experiência de aceitação e respeito em tempo integral. Aí está uma
lição de cidadania: a pessoa com autoconceito positivo não é egoísta, mas
solidária.
Em 15 de outubro comemora-se o “Dia do
Professor”. Espero que, como eu, você não tenha se arrependido de ter escolhido
esta profissão, mesmo que algumas vezes a responsabilidade lhe dê a sensação de
um fardo. É bem verdade que não temos a valorização que merecemos, no entanto
aprendemos a exercitar a virtude da esperança. Queremos acreditar que um dia
virá o reconhecimento. Fazer o que se ama e ser reconhecido, isso sim, é uma
“realização”. Mas enquanto esse dia não chega, façamos o possível para não
afastar de nós o prazer de ser professor.
Formulo aqui os meus desejos, esperando que os
colegas professores concordem com eles. Poderia, sem pretensão, dizer que são
sugestões para atingir um melhor resultado na nossa prática educativa.
-
Que toda sala de aula tenha um número de alunos que permita ao professor
observá-los, percebê-los, orientá-los, avaliá-los e estimulá-los.
-
Que o professor sinta prazer em estar na sala de aula e cumpra a tarefa a que
se propôs sentindo cada aluno como se fosse um filho.
- Que o ambiente da escola seja de amizade,
solidariedade, respeito e justiça.
- Que
a escola tenha projetos para atender às necessidades no processo
ensino-aprendizagem.
-
Que os alunos sejam responsáveis, tenham curiosidade intelectual e deem
respaldo ao professor para desenvolver com eles um bom trabalho.
- Que a escola seja um “porto seguro” para os
pais que têm esperança de que nela seus filhos também sejam educados.
- Que a escola cumpra também o seu papel
social, sendo um espaço alegre, e que haja a cooperação de todos para o seu bom
funcionamento.
-
Que a escola seja uma Instituição valorizada, já que a Educação é fundamental
para a construção de cidadãos solidários; cientes de sua responsabilidade
social, o professor há de entender que o ato de ensinar é um exercício de
imortalidade.
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