Podemos mudar o mundo?
A pandemia que acomete o mundo veio para
mostrar a nossa conexão com tudo e com
todos. Ou salvamos todos ou seremos sempre uma ameaça para todos. Estamos, sim,
conectados e isto ficou muito claro. Não adianta ter ato pequeno de querer se
salvar, até mesmo um país não estará bem porque o que importa é a cooperação de
todos os países, já que estamos todos em dependência para voltar à vida, à
“normalidade”.
A natureza humana é muito competitiva, mas a
cooperação é a sobrevivência. Criaturas gananciosas, violentas, devem repensar
suas condutas, pois a compaixão é que tem de imperar. No entanto temos
assistido o enriquecimento de muitos, pena! A ambição os leva a lucrar com as doenças que acometem a
humanidade. Espera-se que evoluam na
espiritualidade e não apenas nas
vantagens materiais, afinal é melhor não esquecer que prestaremos conta de nossas ações.
Nesse contexto, a generosidade é que precisa estar em moda, mas que não fique somente na ordem do discurso. Não
pode ter uma conotação utópica. Na prática, há de imperar o amor, a compaixão,
a partilha. Para isso, precisamos contar com a consciência cidadã, que
dediquemos todos a matar a fome do outro, pois a ganância de alguns tem matado
muitos.
Estamos mais conectados do que achávamos. O
individual afeta o global, o modelo entrelaçado está à mostra, nada é separado.
A ciência nos prova que estamos realmente conectados. O universo é uma só
família. Nascemos para ser uma comunidade e é assim que experimentamos o
contentamento em nossa vida. É urgente a mudança da percepção do egoísmo, do
gostar de ver o outro em sofrimento, do forte pisoteando no fraco, porque o
desenvolvimento da consciência tem mostrado que o mal não leva ninguém a ser
feliz.
A pandemia da Covid 19 nos faz pensar que o ar
nos une. Esse ar que respiramos é o mesmo para todos e esteve também em outras
vidas, inclusive nas passadas. Estranho assim pensar, mas é respirando o sopro
do ar que teremos vida e, sem entendermos, são os pulmões o órgão mais afetado
por essa doença. Esse vírus nos fez reinventar
a vida para sobreviver, não sendo possível aglomerações. A manifestação do
afeto externado nos abraços e beijos ficou reprimida, agora transmitida pelo
olhar. Não mostramos mais o rosto todo porque as máscaras passaram a fazer
parte de nosso vestuário. A água e sabão nunca foram tão valorizados. Essas são
orientações da ciência que aceleradamente e valorosamente tem procurado o
contra-ataque a esse vírus. Agora as máscaras têm um valor vital, não aquelas
usadas pela sociedade que mascara a sua perversão. Mas esta que salva, que
contraditoriamente veio para escancarar nossa vulnerabilidade.
A vida foi surpreendida sim por esta doença
estranha. Se fabricada ou não o que interessa são as consequências dela. Será
que a doença tem apenas o lado negativo, já que mudou comportamentos e valores?
Quando analisamos a vida, a gente vê tanta coisa que precisa mudar, incluindo
as reflexões acima citadas. Há urgência na mudança de comportamento da
humanidade.
Sempre nos mimamos com coisas supérfluas, mas
novos modos de viver, na relação humana, têm que ser pensados e
valorizados. A ciência faz a sua parte,
está aí para ajudar na luta da volta da “normalidade” da vida; as vacinas,
aceleradamente, vão cumprir o seu papel, mas não sabemos ao certo por quanto
tempo.
Contudo, o que é a normalidade?
Sempre existiu uma normalização de
comportamentos absurdamente egoístas, e hoje já descobrimos que esse “normal”
não cabe mais. Percebemos que precisamos ser solidários, que a comunhão dos
humanos talvez seja a forma mais rápida de alcançarmos um estado de paz. A vida
é o bem maior, e tem o comando de Deus, nosso criador, como tal,
exige que façamos nossas reflexões para termos consciência de como erramos.
Somente com a instituição de um “novo normal”, comunitário e solidário, seremos
merecedores da PÁTRIA CELESTE.
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