Eu penso assim, e você?
O tema da campanha da Fraternidade da Igreja
Católica este ano 2021 é “Fraternidade e Diálogo: Compromisso de amor”. Enfim,
Unamo-nos!
Parece difícil sim colocar em prática tal
orientação Cristã, porque estão tão divididas as opiniões dentro da mesma fé em
Deus. Se na religiosidade de cada um a divisão acontece imaginemos em outras
áreas da vida!
O certo é que os laços de união de afeto entre
os seres humanos é a significação de fraternidade e, portanto, para que ela
seja respeitada temos que aceitar cada um como ele(a) é. O conjunto de entendimento que cada um
escolheu ter, melhor dizendo, cada um de nós de acordo com seu nível emocional
e espiritual está pronto a viver, conforme sua etapa de vida e seu
entendimento. Condenar ou mesmo julgar o outro está claro que não é o
recomendável. Por isso mesmo, a segunda palavra da campanha da fraternidade é
“diálogo”.
Muita gente fala que política, religião e
futebol não se discutem. Que não seja discussão, mas “diálogos”. Esses
precisamos sim ter, para chegarmos à compreensão do outro e do mundo,
respeitando os diferentes posicionamentos. Cada pessoa tem a seu tempo o nível
de compreensão. Destruir quem defende ideias e ações diferentes da gente é usar
a mesma arma da intolerância. E que todos se deem conta de que a escolha doce
do início não seja amarga no depois.
Podemos, assim, pensar também no entendimento
sobre preferências políticas, uma vez que sofremos as consequências das ações
dos políticos. O contrário, isto é, não se posicionar, é alienação. Indignação
deve sempre ser conjugada com ação.
Para que dividir o País entre os que seguram a
bandeira da moralidade do desenvolvimento com honestidade, sem exploração, e os
que defendem o contrário, já que com boa sanidade ninguém segura esta bandeira
da corrupção e demais mazelas?
É inegável que o país está dividido, em suas
opiniões e suas defesas de interesses, mas esta liberdade para se posicionar
vem da lucidez em entender realmente de que lado ficar. O Nível de entendimento
das coisas em relação ao oprimido não permitirá a escolha de apoio ao opressor.
Existirá sempre uma luta de interesses, o
melhor é nos posicionamos do lado certo no conflito, de acordo com o justo
discernimento. Com resistência para desmascarar esses opressores,
comprometendo-nos com a luta pela justiça social. Entender que quando temos
escassez é porque existe acúmulo. Não acontece vitória sem derrota. Se
vitoriosa está uma prática de injustiça, normalmente é porque os injustiçados
se resignaram e não tiveram forças para lutar. Não puderam contar com ajudas
daqueles que se colocaram ao lado do opressor. Nesse caso, não houve união de
forças.
Será
uma alienação ou uma lógica de uma religiosidade perversa que levou muitos a
escolherem o fanatismo que os levou à cegueira? Será que foi essa cegueira que
levou muitos a acreditarem no falso messias, distanciando do real Messias Jesus
e seu propósito de vida no amor, não servindo ao ódio e à morte?
Se sua escolha o leva a ser mais humano mais
justo, com certeza você está do lado certo, o que o faz mais elevado. Quem é
lúcido luta pela sociedade mais justa para todos. Resistir às injustiças sem
medo, mas com afeto e não com ódio. Quem ainda não está na lucidez dos fatos, o
momento e a perspectiva devem ser lhe mostrado de várias formas, até que
encontre uma escolha melhor, a fim de sair da alienação.
Nossa espiritualidade deveria ser a do incômodo,
na luta da resistência e com lucidez contra a opressão para transformar a
realidade. É bom atentarmos também para uma religiosidade que banaliza a vida e
leva ao crescimento dos fanatismos. Os fanáticos ficam cegos de humanidade.
Se devemos desconstruir um modelo de
injustiça, resultado do capitalismo que só conhece o lucro e a mercantilização
da vida, o contrário é uma melhor distribuição de renda. Apoiarmos as políticas da saúde, da
habitação, da educação, do transporte para todos, além de outras ações. Os poderosos têm artimanha para enganar os
dominados para que todos estejam a serviço deles.
A lógica da opressão, da dominação, tem que
ser questionável pela nossa lucidez.
Lucidez para percebermos de que lado, de que grupo participamos, a qual
classe social pertencemos, quem apoiamos, qual ideia defendemos. Não ter medo
de remover obstáculos, transgredir sem medo para mudar, porque os oprimidos
muitas vezes são enganados pelos opressores.
‘“OS OPRESSORES NÃO TERIAM TANTO PODER SE NÃO
TIVESSEM TANTOS CÚMPLICES”.
“MELHOR ESTAR DO LADO DO CRUXIFICADO DO QUE DO LADO DOS QUE
CRUXIFICAM”.
O melhor é ter um compromisso de luta, mas na lucidez de escolher o
lado. Estamos no conflito defendendo qual ideal?
Os animais não fazem nada sem um propósito
para o seu bem estar. Já o ser humano sempre tem propósitos, muitas vezes, mal
intencionados. Em cada um existe a semente das virtudes, com direito para
discernir o que é para o bem de todos ou não. Sabemos que a escolha é de cada
um, cultivar valores para mim mesmo com desejos egoístas ou para uma conexão
com valores coletivos e até mesmo divinos.
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